Longa história de uma guerreira. (Mamãe)

Eu posso não ter sentido o gosto de todas as frutas
Mas cheiro de terra não me faltava no ar
Uma infância de pedra amolecido em água pura
Do suor de uma mãe que só sabia trabalhar

E amar, amar incondicionalmente as tuas crias
Debaixo das asas sem deixar de voar
Tirar os pés pequenos do chão de cascalhos duros
Levar aos campos da imaginação a contar

Tantas histórias, tantas princesas, tapete mágico
Enganavam a fome e alimentavam o nosso paladar
Tanta alegria, tanta bondade, tanta mágia
Fugir da realidade triste e se encontrar em família

Pra amar, amar incondicionalmente tuas crias
Debaixo das asas sem deixar de voar
Tirar os pés pequenos do chão de cascalhos duros
Levar aos campos da imaginação a contar

Moedas no fim do bolso furado, amarrotado
Do trabalho suado que não acabava antes do galo cantar
Vender o almoço, negociar a janta e chegar cansada
Com três paçocas pro dia das crianças adoçar

Viveu uma vida amarga mas sempre em companhia
Das tuas três vidas que se sacrificava pra feliz ver
Deixava em casa o coração, a cabeça e erguia as mangas
Ia pra rua pra mais um dia lhes dar do que comer

E amar, amar incondicionalmente as tuas crias
Debaixo das asas sem deixar de voar
Tirar os pés pequenos do chão de cascalhos duros
Levar aos campos da imaginação a contar

Todos teus dias como se nunca houvesse um último
Não se dava ao luxo e nem a necessidade de descansar
Chorava escondida no banho frio da tua casa sem energia
Batia no peito, erguia a cabeça e saia sorrindo de lá

Eles as vezes não tinham nada pra comer
Mas agradeciam antes de ir se deitar
“Obrigado papai do céu pela nossa mesa farta
Pela nossa saúde e pela nossa luz, amém”

Só por amar, amar incondicionalmente tuas crias
Debaixo das asas sem deixar de voar
Tirar os pés pequenos do chão de cascalhos duros
Levar aos campos da imaginação a contar

Os minutos, as horas e os dias
Pro final feliz dessa longa história chegar
E ver vencer a guerra sem vestir armadura
Essa mãe sozinha com teus três filhos a carregar

Pra ver crescer fortes em tuas costas as tuas crias
Se apoiarem até a ponta dos céus a sonhar
Ver brincadeiras no meio de tanta luta
Que ela vencia sem aceitar trapacear

E amar, amar incondicionalmente as tuas crias
Debaixo das asas sem deixar de voar
Tirar os pés pequenos do chão de cascalhos duros
Levar aos campos da imaginação a contar

Suas feridas.

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